quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Apostas para o Oscar 2011 - Vencedores


Acertei 16 dos 21 palpites

MELHOR FILME: O Discurso do Rei
MELHOR DIRETOR: David Fincher | A Rede Social - Tom Hooper | O Discurso do Rei
MELHOR ATOR: Colin Firth | o Discurso do Rei
MELHOR ATRIZ: Natalie Portman | Cisne Negro
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christian Bale | O Vencedor
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Melissa Leo | O Vencedor
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: O Discurso do Rei
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: A Rede Social
MELHOR MONTAGEM: A Rede Social
MELHOR FOTOGRAFIA: Bravura Indômita - A Origem
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: A Origem - Alice no País das Maravilhas
MELHOR FIGURINO: O Discurso do Rei - Alice no País das Maravilhas
MELHOR TRILHA SONORA: A Origem - A Rede Social
MELHOR CANÇÃO: We Belong Together | Toy Story 3
MELHOR MAQUIAGEM: O Lobisomem
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Origem
MELHOR MIXAGEM DE SOM: A Origem
MELHORES EFEITOS VISUAIS: A Origem
MELHOR ANIMAÇÃO: Toy Story 3
MELHOR DOCUMENTÁRIO: Trabalho Interno
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Em um Mundo Melhor | Dinamarca

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Lixo Extraordinário

Se Pedro Bial pudesse lhe dar um conselho para vida, seria: “Use filtro solar”. Se eu pudesse lhe dar um conselho para a sua próxima semana de vida, seria: Vá assistir Lixo Extraordinário! Filmado ao longo de  pouco mais de dois anos – 2007 a 2009 – o documentário, indicado ao Oscar de 2011, acompanha Vik Muniz, artista plástico brasileiro com grande reconhecimento fora do país, que resolve fazer um trabalho envolvendo o maior aterro sanitário da América Latina, localizado no Rio de Janeiro. A proposta de Muniz é transformar lixo em arte, utilizando ajuda dos trabalhadores locais, divulgando assim a vida dos catadores como forma de devolver um pouco para a sociedade, todo o sucesso que alcançou.
Dispense os preconceitos. Não é um documentário chato. Não é um longa que agradará apenas os intelectualmente superiores, seja lá o que isso queira dizer. E não, não é um filme sobre lixo, mas sobre pessoas e sobre arte. Lixo Extraordinário é lindo, esbanja brasilidade e deveria ser obrigatório.
Aos poucos, vamos conhecendo melhor este grande artista e as pessoas que encontra no caminho, e como não se encantar e se surpreender com Zeus e Tião, catadores que discutem Nietzsche e Maquiavel? Isso mesmo, livros encontrados no lixão são lidos, e pasmem, entendidos. Oportunidade dada às pessoas erradas? Quem sabe... Como não se emocionar com um senhor de idade “sem primeiro nem segundo grau” como ele diz, dando uma aula de conscientização e meio ambiente, algo que tento fazer com pessoas de curso superior, e falho miseravelmente? Aliás, fazia tempo que não me emocionava tantas vezes no cinema. Seja por uma mãe que perde um filho, por um homem que não se contém de tanta alegria, ou por perceber que aquelas pessoas que trabalham atoladas no lixo são felizes e isso realmente mexer comigo. Muniz comenta que sua obra mais famosa, “Sugar Children”, reflete a falta que a doçura do açúcar fazia nos pais das crianças que ele retratava num canavial, mas nesse caso não era no Brasil. Aqui, o artista plástico se depara com gente que teria todos os motivos do mundo para viver de cara amarrada, mas não exita em abrir um largo sorriso.
Não se engane, Lixo Extraordinário está longe de ser um filme triste. Gargalhei por diversas vezes, afinal, o bom humor também é típico da nossa gente. Não se surpreenda ao descobrir que catadores divertem-se tentando adivinhar a sua classe social pelo que você joga no lixo, suas correspondências, ou mesmo pelo tipo de saco plástico que usa.
Como se não bastasse, além dos personagens reais fantásticos, um filme que se passa no lixão consegue ser visualmente lindo. É impressionante como de um ângulo correto, com a câmera e a luz certas, qualquer coisa pode ficar realmente linda, como esta fotografia, como arte.  Para completar, a eficiente montagem traz imagens de arquivo pessoal de Vik Muniz, e dois trechos de entrevistas do Jô Soares, que inicialmente me deixaram confuso e desacreditado, mas ao término do filme, tudo é quase perfeito.
Sei que não é papel de crítico indicar ou não um filme. Mas não ouso me chamar de crítico de cinema, e nesse texto, nem mesmo aspirante a tanto. Escrevo apenas como um admirador da sétima e das outras artes, apenas gritando aos quatro ventos para os meus amigos e para aqueles que visitam este espaço: "CORRÃO", eu sei que vocês irão gostar!
E por favor, reciclem a embalagem do filtro solar.

Lixo Extraordinário ***** 9,5
Waste Land, Brasil/Reino Unido
Lucy Walker, 2011 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Vencedor


Filme de luta? Não. Baseado em uma história real, O Vencedor é sobre uma família. Uma família destruída pelo vício de um dos filhos em crack (Bale) e que deposita toda sua esperança na carreira do filho mais novo como lutador (Wahlberg), já que as outras SETE irmãs não parecem fazer muita coisa além de fofocarem o dia todo.  A dinâmica desta família, invadida por uma namorada briguenta, é o que move este ótimo filme, de atuações espetaculares.
Mark Wahlberg fica apagado no meio tantos bons coadjuvantes, não por culpa do ator, que entrega uma atuação enxuta e correta, mas sim pelo personagem.  Apesar de ser o protagonista, Micky não tem a complexidade dramática dos outros, e é retratado como um homem desacreditado e sem voz ativa. Nos poucos momentos em que toma as rédeas da situação, como quando consegue o número de telefone de uma garçonete, Wahlberg enche a tela com seu sorriso, o mesmo sorriso do garoto que conhecemos em Diário de um Adolescente e Boogie Nights.
Melissa Leo está muito bem como a mãe sofrida e que sonha com o sucesso dos filhos, ainda que eu prefira Amy Adams de namorada autoritária, que troca as mega expressões de Leo por um rosto sempre sério, com as lágrimas brigando para não cair. “Às vezes menos é mais.”
Christian Bale chama a atenção em todas as cenas em que está presente, da abertura ao encerramento, trazendo a hiperatividade, o bom humor e a cara da decadência de um viciado. Um homem que vive repetindo nas palavras e mesmo a encenação, de seu maior momento de glória (e a ótima montagem intercala as duas passagens demonstrando o grande contraste). Mais magro do que nunca, chega a ser difícil acreditar que aquele homem frágil e desdentado é o Batman, mesmo que já o tenhamos visto fisicamente parecido no ótimo e esquecido O Operário. Assim, além da atuação perfeita e de se revelar um bom cantor em duas passagens, o ator ainda estampa na cara a vontade e a entrega de um apaixonado por sua profissão. Há como o Oscar não ser dele? Impossível.
Ao término da luta final, os dois irmãos se agacham no canto do ringue, e conversam algo. Algo que não ouvimos, que pertencia apenas a eles.

O Vencedor **** 9,0
The Fighter,
David O. Russel, 2011

domingo, 30 de janeiro de 2011

Micro-críticas #04


O Amor e Outras Drogas

Comédias românticas não fazem minha cabeça. Talvez por adotarem quase sempre o mesmo formato. Um romance sem sal, com piadas engraçadinhas, onde até a metade você ri, e a partir da outra metade tentam te fazer chorar. Bléh. “O Amor e Outras Drogas” foge um pouco disso (mas não muito) e consegue ser acima da média do gênero. Adaptado do livro “Hard Sell: The Evolution of a Viagra Salesman”, o filme se apóia na beleza de seus protagonistas, coadjuvantes e figurantes e é repleto de cenas de nudez, que podem incomodar as mais recatadas, mas também tem ótimas piadas que por vezes tiram sarro dos clichês comportamentais de personagens vazios que estamos acostumados a ver. Divertido, leve (ainda que tente não ser), e agradável de assistir, cumpre o que promete. (Edward Zwick, 2011) **** 7,5

O Turista

Em 2007, o belo “A Vida dos Outros” ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro, conquistou o mundo e revelou Florian Henckel Von Donnersmarch, diretor estreante que tinha tudo para dar certo. Após 4 anos sem dirigir nada, Von Donnersmarch retorna aos holofotes, dirigindo um filme pipoca com dois dos maiores astros do cinema atual. O resultado? Ruim.
Com material fraco em mãos, o alemão parece querer compensar com muitas imagens das belezas das igualmente encantadoras Angelina Jolie e Veneza, o que acaba deixando o filme sem ritmo, por vezes arrastado. Com uma trilha sonora que em momentos lembra animação da Disney, e em outro um episódio dos Três patetas, ainda conta com um Johnny Depp que chega a repetir uma cena IGUAL à de Piratas do Caribe, exatamente com os mesmos gestos. Tendo seu melhor momento numa piada rápida envolvendo Bon Jovi, O Turista serve como passatempo, mas desperdiça uma grande oportunidade de juntar um bom diretor, dois ótimos atores com poder de conquistar bilheteria e a bela cidade de Veneza, tudo de uma só vez. (Florian Henckel Von Donnersmarch, 2011) ** 4,5

Além da Vida

São raros os cinéfilos que não concordam que Clint Eastwood é um ótimo diretor, principalmente comparando-se ao seu limitado trabalho como ator, onde vivia sempre o mesmo personagem. Mas não é de hoje que percebo sua quedinha pelo exagero em cenas apoteóticas (como os finais de Gran Torino e Os Imperdoáveis) e dramas um pouco forçados (como a visão romântica de Invictus). Aqui, Eastwood abre o filme com uma cena fantástica de Tsunami devastando tudo o que vê pela frente, contrastando com o marasmo e a falta de ritmo de todo o restante. Abusando de coincidências inverossímeis, com um final que chega a dar vergonha, Além da Vida me conquistou apenas em alguns momentos isoladas, como a breve participação da linda Bryce Dallas Howard, demonstrando muita química com Matt Damon, que, aliás, leva o longa nas costas, mesmo com menos espaço do que merecia. (Clint Eastwood, 2011) *** 6,5

Incontrolável

Um meio de transporte sem controle cruza cidades podendo causar destruição a qualquer momento. Você já viu esse filme, provavelmente mais de um com esta descrição. O roteiro super manjado, baseado em uma história real, consegue surpreendentemente tornar-se um ótimo filme, nas mãos de Tony Scott. Ao lado de seu habitual parceiro Denzel Washington, que parece tomar banho de carisma, o diretor reúne ótimos elementos para que não se torne mais do mesmo, a fotografia de tons fortes, a música que dá o tom de urgência e a montagem rápida ajudam nesse sentido. (Tonny Scott, 2011) **** 8,0

Vício Frenético

Não é que Nicolas Cage seja um ator ruim, mas ele é extremamente exagerado. Seus personagens são sempre repletos de maneirismos, berros e excessos em muitos sentidos. Em Vício Frenético, ele se sente em casa. Tendo nas mãos um homem com problema de coluna, viciado em drogas, e um péssimo ser humano, Cage se encontra no ápice de sua canastrice e mais caricato do que nunca.  Com péssimas atuações também do elenco de apoio, Vício Frenético busca o humor negro, mas o que encontra, é uma lacuna entre o podre e o escroto. Quase insuportável. A segunda estrela veio por conta de uma cena em que uma alma dança, decididamente a única cena realmente inspirada. (Werner Herzog, 2010) ** 4,0
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