sábado, 7 de agosto de 2010

Salt


Se Angelina Jolie protagonizasse um filme sobre andorinhas canadenses com leucemia que vivem Madagascar fugindo de carcereiros de Guantánamo, eu continuaria gostando dela. Mas não acho que seja essa paixão adolescente remanescente em mim que me fez constatar que ela é o melhor de Salt. 
O roteiro foi originalmente escrito para ser protagonizado por um homem, o que o colocaria na categoria “mais do mesmo”. Não que não tenha seus méritos. Surpreende em algumas reviravoltas, mas também peca pelo excesso de flashbacks, chegando a constranger, por mostrar algo que já havia sido explicado anteriormente.
O suspense que se tentou criar com os trailers não funcionou. Uma pessoa inocente não teria por que fugir desesperadamente matando gente, quando é acusada de algo injustamente, e a maior parte das pessoas que vão à sala de cinema, já imaginam que a protagonista é realmente uma espiã russa, e isso não demora a se responder. Na impactante cena inicial, já se vê do que aquela mulher é capaz para segurar uma mentira.
O diretor Phillip Noyce, que já havia trabalhado com Jolie em O Colecionador de Ossos,  merece aplausos por conseguir  fazer com que aquela mulher magra e aparentemente frágil fosse verossímil em cenas absurdas. Jolie convence e cumpre o que promete. Ver uma mulher pulando sobre caminhões em movimento, batendo em muitos homens ao mesmo tempo não é comum, e é o que destaca Salt dos outros filmes do gênero.
Foi um erro não dar um final descente, tentando fazer do longa o início de uma nova franquia, já que as bilheterias não têm demonstrado fôlego suficiente para isso.
Enfim, Salt é realmente apenas mais um filme de ação, muita ação, e nada mais, porém com aquele olhar charmoso que só Jolie sabe dar, mesmo de cabelos masculinos e a cara toda quebrada.

Salt ***   7,0
Salt
Phillip Noyce, 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Segredo dos Seus Olhos


O diretor argentino Juan José Campanella costuma dirigir episódios de séries americanas de tv, como House e 30 Rock, mas é conhecido pelos seus filmes que retratam a classe média de seu país, os tocantes O Filho da Noiva, Clube da Lua e O Mesmo Amor, a Mesma Chuva. Desta vez ele comanda uma trama que tem um pouco de tudo, suspense policial, drama, romance e até comédia, que conquistou o Oscar de melhor filme estrangeiro.
O Segredo dos Seus Olhos não segue uma narrativa linear. Começa com Benjamin Esposito, um oficial de justiça aposentado, que tenta se recordar de um antigo caso para que possa escrever um livro com suas memórias. A medida que as lembranças vão surgindo vamos sendo jogados ao passado e ao presente, e apresentados aos poucos a história do protagonista, que se mistura com a do caso.
O longa é tecnicamente impecável. Tem um belo trabalho de maquiagem, uma fotografia interessante, uma montagem eficiente, ótimas atuações, além de ser repleto de cenas marcantes. Como exemplo, me vem à cabeça a do elevador, onde nenhuma palavra é dita, mas a tensão é altíssima, algo que vou ressaltar a seguir.
O filme é repleto de olhares significativos, e em muitas cenas diz muito mais nos olhares dos personagens, do que em palavras. Cenas longas, silenciosas, mas que não precisam de falas para entender tudo que o diretor quer passar. Como a reunião, onde Irene vai fechar a porta achando que se trata de um assunto, mas com a chegada de outra pessoa, sem que nada seja dito, entende que estava errada e demonstra todos os seus sentimentos apenas com os olhos, num belíssimo trabalho de Soledad Villamil. Ou na conversa no metrô onde Benjamín olha para Ricardo Morales, em atuações inspiradas de Ricardo Darín e Pablo Rago, e naquele momento entende o tamanho daquele amor, e a importância daquele caso ser resolvido.
Campanella consegue, em poucas cenas onde o diálogo é realmente importante, nos presentear com pérolas como “As pessoas podem mudar de tudo: de cara, de casa, de família, namorada, religião, de Deus. Mas tem uma coisa que não se pode mudar, Benjamín. Não se pode trocar de paixão." Esta bela frase é seguida por um plano-sequência num estádio de futebol absolutamente espetacular, que começa numa visão panorâmica, segue por uma perseguição pelas arquibancadas e termina no campo. Algo digno de palmas.
É por isso tudo, e por uma cena pouco antes do fechamento desta obra-prima, que me arrepiou dos pés a cabeça, que digo que O Segredo dos Seus Olhos é o melhor filme de Campanella, e um dos meus prediletos.

O Segredo dos Seus Olhos *****
El Secreto de Sus Ojos
Juan José Campanella, 2009

domingo, 9 de maio de 2010

DEXTER


A ideia inicial do blog era falar apenas sobre filmes, e ainda é. Mas não consigo deixar de escrever sobre essa série tão fascinante, espetacular e FODA! É claro que me refiro a DEXTER!
Desde a 2ª ótima temporada, eu digo que Dexter ultrapassou Lost no meu modesto ranking pessoal de séries. Mas com esta última, devo dizer que abriu uma vantagem larga, mas larga mesmo, e Lost terá de apresentar um desfecho muito bom para chegar perto disso, o que duvido.
Acompanho a série desde o início, desde a primeira temporada previsível, mas que nos arrebata pela premissa: Um serial killer de seriais killers. Um homem sem sentimentos, que não usa uma máscara na hora de cometer seus delitos, mas a usa diariamente, para conviver com as pessoas ao seu redor, para ser aceito por uma sociedade que não absorve coisas diferentes.
Ao mesmo tempo vamos conhecendo aos poucos esse personagem que deveria ser um monstro (e de fato é), mas que nos conquista a cada episódio, pelo humor, pela sinceridade conosco, e principalmente, pelo carisma e o trabalho perfeito de Michael C. Hall. Aliás, que ator. O cara simplesmente destrói. Depois de três anos de indicações sem vitória ao Globo de Ouro, desta vez ele ganhou, talvez por estarem todos sensibilizados pela sua doença (o ator estava com câncer na época da entrega do prêmio, já curado), mas prefiro acreditar que pela sua competência. É perfeito. A cara de bobão que finge ter, a maneira desajeitada como tenta ser carinhoso, e o monstro em que se transforma quando o “Passageiro das Trevas” toma conta de sua personalidade. Sublime.
Esta 4ª temporada é a melhor da série. Envolvente e intrigante, do primeiro ao último episódio, ela ainda é presenteada com a ótima atuação de John Lithgow no papel de Arthur Mitchell, um serial killer experiente de quem Dexter se aproxima. E como se não bastasse, quando se acha que acabou, somos arrebatados com um final que me faltam adjetivos. Os dois minutos finais são de deixar qualquer um de queixo caído, de boca aberta, com cara de bobo mesmo.
Achei que deveria compartilhar isso, porque cinema é minha paixão, mas sempre que eu encontrar algo que seja melhor que a maioria dos filmes que vemos por aí, eu vou comentar por aqui.
Indico, recomendo, e obrigo aos mais próximos a assistir.

5 estrelas em 5, nota 10 em 10.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Homem de Ferro 2


Em 2008, Homem de Ferro foi lançado sob baixas expectativas e surpreendeu a todos, principalmente com Robert Downey Jr. no papel principal, tornando-se um dos melhores filmes de Super Herói. Agora, dois anos depois, Homem de Ferro 2 foi muito aguardado, talvez esperando-se que fizesse parte da nova safra de filmes do gênero, que tem apresentado suas continuações melhores do que os originais, como Batman O Cavaleiro das Trevas e Homem-Aranha 2. Não decepciona, mas não chega a ser melhor que seu antecessor.
Iniciando exatamente onde o primeiro parou, o que traz um bom ritmo e não deixa o espectador com a sensação de que perdeu nada. Somos apresentados ao novo vilão, muito bem interpretado por um estilizado Mickey Rourke, querendo se vingar de Tony Stark pela morte de seu pai, ao passo que o empresário precisa lidar com problemas de saúde e pressão do governo para liberar o segredo de suas máquinas.
O filme tem uma narrativa ágil, leve e engraçada e revela-se como um passatempo, sem grandes pretensões dramáticas, e atinge o seu objetivo. O roteiro deixa um pouco a desejar ao primeiro filme, mas o diretor Jon Favreau mostra competência com cenas de ação bem construídas e bem realizadas, e efeitos especiais perfeitos.
No campo das atuações, ninguém ainda é páreo para Robert Downey Jr.. Mais sarcástico e egocêntrico do que nunca, o personagem combina perfeitamente com o ator, e são dele os melhores momentos do filme. Scarlett Johansson surge mais bonita do que nunca em cenas divertidas, mas com aquela cara de sedução fixa, parece não ter expressão. O filme ainda trás Garry Shandling impagável no papel do Senador Sterm.
Homem de Ferro 2 não é fabuloso, mas mostra que um blockbuster ainda pode ser blockbuster, com qualidade e fazendo sucesso sem ser necessariamente em 3D.

Homem de Ferro 2 ***
Iron Man 2
Jon Favreau, 2010
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