domingo, 17 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Atenção: Só leia este texto se você já assistiu ao filme.

Há dez anos, lembro-me perfeitamente. Era novembro de 2001, quando em uma tarde de várzea como eram quase todas naquele tempo, zapeava a TV procurando em vão, algo de bom para assistir. Eis que num programa vespertino qualquer, daqueles em que com certeza eu não era o público alvo, estavam falando sobre as estréias da semana nos cinemas. Uma delas era Harry Potter e a Pedra Filosofal. Naquela época, a fama dos livros já era enorme e eu, do alto dos meus 12 anos achava tudo uma baboseira, sem jamais ter tido um pingo de vontade de ler, ou mesmo ver o tal filme que viria. “Magia? Um menino bruxo? Que coisa mais besta!” Eis que assisto um trecho do tal filme. Uma cena. Foi o que bastou para me fisgar. Uma aula de vôo, ministrada por Madame Hooch. A partir daquele momento não sosseguei enquanto não assisti ao filme. Depois disso, li todos os livros que já haviam sido lançados, e acompanhei toda a evolução da série. Era simples diversão, jamais imaginaria que ao chegar ao final, fosse mexer tanto comigo.
 Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 2 começa exatamente onde o anterior terminou, sem introduções. Sem nem mesmo a trilha sonora imortalizada de John Williams que abriu todos os filmes até aqui. Ao invés dela, um coro de vozes, já anunciando a melancolia que tomaria conta de todos. Mas os acordes de Williams estão presentes a todo momento, tocados de várias formas, encaixando entre as composições de Alexander Desplat, que desta vez se supera, com uma trilha muito superior ao filme anterior, com destaque para o momento emocionante em que feitiços são lançados para proteger a escola. O inicio, com diálogos tranqüilos e lentos, servem como preparação, quase que como um tempo para que os atrasados entrem no cinema. Com 5 minutos de projeção, a aventura começa, e sem interrupções, estejamos prontos ou não. Mas 10 anos é tempo o bastante para se preparar. Foi isso, aliás, o que passou na minha cabeça durante todo o filme. A sensação de que finalmente aquilo estava se resolvendo, o sentimento de que depois de tanto tempo, as coisas estavam acontecendo, e eu estava me despedindo daquelas pessoas que cresceram comigo. Só isso para explicar os olhos marejados com um beijo súbito, de um casal que vi se formar. 
 Mas este não é um filme com foco em romances. É um filme cruel, que pouco lembra a magia infantil dos primeiros. Corpos para todos os lados, crianças sendo mortas por lobisomens. É um filme de guerra. Em dado momento, Harry anda devagar por Hogwarts, e o chão está coberto de livros destruídos, nos lembrando que em algum momento, aquilo era uma escola, e não um campo de batalha. 
 Dizer que esta ou aquela cena são sensacionais seria chover no molhado, pois o que vemos é um show de imagens, efeitos especiais que deverão receber todos os prêmios possíveis, uma direção de arte fantástica, fotografia marcante, tudo aquilo que esperamos de uma produção com qualidade técnica impecável. Mas há uma sequência de cenas em especial, que quase me fez levantar da cadeira para aplaudir. Uma cena aliás, que é fruto da coragem e imaginação do diretor David Yates e do roteirista Steve Kloves, que eu já havia salientado ano passado. Harry entrando no salão principal, confrontando Snape, a Ordem chegando, e McGonagall dando show. Minerva McGonagall sempre foi uma de minhas personagens favoritas, e aqui chegou seu momento. Quando ela empurra Harry e confronta Snape, o homem que matou seu amigo Dumbledore. Protegendo o garoto que, sabemos, não é apenas um aluno pra ela. Sabemos que foi ela quem deixou Harry na casa dos Dursley quando ele ainda era um bebê. Foi ela quem deu a Harry uma Nimbus 2000. Ela tinha uma afeição pelo garoto, mas sempre manteve a postura rígida de professora ríspida. Nesse momento, McGonagall se entrega.  “É bom ver você, Potter”. E se diverte: “Eu sempre quis usar este feitiço”. E aí preciso dizer: Maggie Smith, SUA LINDA!
  Falando nos melhores personagens, chegou também a vez de Snape. Depois de anos sendo de longe a melhor interpretação em todos os filmes, Alan Rickman mais uma vez é o destaque, mas agora mostrando um Snape diferente. Um Snape que chora. Todas as cenas em que Rickman está presente, sua dualidade chega a assustar, de tão perfeita. Personagem e ator em sintonia perfeita. Perceba quando McGonagall toma a frente de Harry, como ele hesita, mas segue em frente, dando um jeito de matar os irmãos Carrow, para depois fugir de forma espetacular. As cenas que formam sua lembrança também merecem ser lembradas. A fotografia dessaturada da lugar a cores em abundancia, mostrando que aquele homem já foi feliz algum dia, e a montagem excepcional nos conta a história triste do personagem. Se Alan Rickman tivesse morrido antes de o filme estrear, o Oscar seria dele.
 As adaptações de Yates e Kloves funcionam na maioria das cenas, deixando a desejar apenas em algum momento, como a batalha final entre Potter e Voldemort, que no livro é muito mais emocionante. Aliás, emoção não pareceu ser o foco deste filme. O que mais senti falta foi um abraço entre Harry e Rony. Quando Harry se prepara para entrar na floresta, Hermione se despede dele, com lágrimas merecidas, mas e Rony? Faltou um abraço dos dois amigos, e é esse o motivo que não me deixa dar nota 10. O final nostálgico me pegou de surpresa. Esperava uma catarse de choro e despedida, mas ela não veio. 
 Contudo, pode-se dizer sim, que este é o melhor filme da série, que fez jus a tudo que acompanhamos nesses 10 anos, junto com Harry e seus amigos, “até o fim”.

 Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2  ***** 9,5
Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2, Reino Unido
David Yates, 2011

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Um Novo Despertar

Fui ao cinema assistir a “Um Novo Despertar” fazendo algo que adoro, mas que hoje em dia é dificílimo: não sabendo absolutamente nada sobre o que ia ver. Tinha visto um pôster, li que foi muito bem recebido em Cannes e só, nem a sinopse conhecia. Por isso foi tão interessante acompanhar a transformação que o protagonista sofre. Já no primeiro take, vemos Mel Gibson completamente despido de vaidade, com um travelling que o filma da cabeça aos pés, exibindo rugas e uma barriguinha considerável, deixando de lado a imagem de homem charmoso que exibia há poucos anos. Gibson interpreta Walter Black, um empresário que está imerso em uma depressão profunda, como nos diz um narrador que ouvimos apenas três vezes no filme, justamente marcando três fases do personagem. Walter chega ao fundo do poço ao sair de casa, deixando mulher e filhos, quando tenta suicídio. Nessa divertida cena especificamente, após levar um tombo segurando um fantoche de pelúcia em forma de um castor, um movimento de braço e uma exclamação me fizeram pensar: “que legal, parece até que foi o Castor que falou.” E aí é que está a mágica de não saber nada do filme e nem mesmo assistir trailers. O castor de pelúcia FALA! Ou quase isso.
A sinopse seria perfeita para uma comédia, mas não espere por uma. Sim, é impossível não rir em diversas cenas que são absurdas por serem protagonizadas por um homem segurando um boneco, mas confesso que eu fiquei é extasiado com o desempenho de Mel Gibson. Seja nos diálogos que protagoniza consigo mesmo, ou em passagens onde está ofegante, e o Castor também aparece ofegante. Em uma cena, ao abaixar a mão onde segura o Castor, Gibson muda completamente a expressão. Do sorriso à tristeza em um movimento, indicação ao Oscar?  Mas “The Beaver” fala sobre depressão, e vai fundo. O sofrimento, a solidão mesmo estando rodeado de gente, a vontade de ficar eternamente em uma cama, tudo está ali, em cada expressão de Walter. Em dado momento um personagem diz: “Depressão é um buraco negro que o puxa para dentro”, metáfora que depois é ilustrada literalmente, nas cenas em que o filho do protagonista bate com a cabeça na parede (!) até fazer um buraco nela (sempre em cenas noturnas).
Jodie Foster como diretora usa e abusa dos closes, focando em cada marca do Mel Gibson e dela própria. Mas o excesso que me incomodou, foi o de cenas comparativas entre pai e filho. Numa tentativa de mostrar que o filho adolescente é parecidíssimo com o pai, várias passagens dizem a mesma coisa, martelando algo que na abertura do filme já havíamos entendido. Funciona muito melhor com o filho caçula (bem mais talentoso que o mais velho), numa simples mordida no lábio, discreta e valiosa.
O roteiro do estreante Kyle Killen, além de um estudo sobre a depressão, é uma crítica à sociedade. Prega que digamos a verdade na cara das pessoas, mesmo que seja dolorida. Faz chacota com livros de auto-ajuda, e brinca com o comportamento habitual da modernidade. Como exemplo me vem à cabeça uma frase que adorei: “Vamos limpar a garagem para sujar a cozinha”. Corajoso, surpreendente, e sincero. Isso até chegar o terceiro ato. Sabe quando você está adorando um filme, e aí apenas uma cena DESTRÓI tudo o que ele construiu? Quando um roteirista escreve um texto inteiro te dizendo uma coisa, para no finzinho fazer exatamente o oposto? Pois é, Kyle Killen critica, mas no último momento, transforma um filme bonito, numa bobagem de auto-ajuda, típico de sessão da tarde. Saí do cinema revoltado.

Um Novo Despertar *** 6,0
The Beaver, EUA
Jodie Foster, 2011

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Velozes & Furiosos 5 - Operação Rio

Repare no pôster. Em uma rápida pesquisa no Google, pode-se perceber uma coisa diferente entre este e o dos outros quatro filmes. Em todos os cartazes até aqui, além dos atores, o destaque sempre são os carros. Neste, a primeira coisa que vemos são armas, e isso diz muito. Quando “Velozes e Furiosos” estreou em 2001, atingiu em cheio ao público jovem, apaixonado por carros, mostrando o submundo dos rallys clandestinos e popularizou o tuning no Brasil (sim, ele é o responsável por hoje você ver um Fiat Uno com neon e adesivos gigantes e ter vontade de chorar). Ao faturar mais de cinco vezes o seu custo, estavam abertas as portas para uma nova franquia, e para dezenas de filmes com temas parecidos que pipocaram nos anos seguintes, nenhum deles promissor. Seguiram-se filmes ruins e sem o carisma dos protagonistas do primeiro. A única coisa que todos tinham em comum eram “carros” como tema principal e assaltos ao fundo, quando agora o que temos é um filme de assaltos, com alguns carros ao fundo.
Para compensar a falta do automobilismo – o único “pega” acontece com mais de uma hora de projeção, e é o mais sem graça de toda a franquia – o que se vê é uma reunião de personagens secundários de todos os filmes anteriores, somados ao trio de protagonistas e uma coleção de referências. Vin Diesel sempre foi o principal nome do elenco. Com inquestionável presença em cenas de ação, ele já não tem a mesma forma física de dez anos atrás, e dessa vez conta com um oponente do seu tamanho, Dwayne Johnson (o antigo “The Rock”) num personagem vazio, mas que funciona. Particularmente, sempre me encantei com a beleza de Jordana Brewster, e neste filme ela não se limita em ser a irmã de Dominic, mas fala português sem sotaque, exibe uma barriguinha de grávida e corre favela abaixo como ninguém (não dá vontade de levar pra casa?).
Jordana balançada com meu convite
Velozes 5 se passa no Rio de Janeiro, mas é um Rio feio e pobre, um contraponto com a animação “Rio”, lançada no mesmo mês, que traz o outro lado da moeda. Aliás, o fato de se passar no Rio de Janeiro realmente foi algo que agradou o roteirista, nunca vi tantas vezes o nome de uma cidade ser repetida dessa forma. A impressão que se tem é de que temos que ser lembrados a todo instante que aquilo é o Brasil, e não os Estados Unidos. O que nos leva a uma cena lamentável, onde Vin Diesel diz a um policial com um sorriso maroto: “This is BRASIL”, e instantaneamente todos os civis que estavam no local tiram uma arma do bolso. Outra questão que sempre se levanta quando filmes estrangeiros são gravados por aqui é: por que não contratar alguns atores locais para papeis secundários? Neste filme, os americanos tentando falar português deve ter ficado tão ruim, que resolveram dublar as cenas, ao menos é melhor que ouvir aquele sotaque vindo de um “nativo” (ressalto o português Joaquim de Almeida, que além de bom ator, disfarça perfeitamente seu sotaque).
O grande destaque deste filme é a boa execução das cenas de ação. Por mais que o roteiro não ajude e traga uma situação mais bizarra que a outra - sendo difícil acreditar, por exemplo, em um cofre que é carregado pela cidade inteira, ou dois homens que caem de um penhasco sem nada sofrer, ou uma mulher grávida de semanas virar praticante de le parkour pela favela, isso para não comentar a cena de abertura. Até agora estou tentando entender como ninguém se feriu naquele ônibus, mas divago – é indiscutível o talento do diretor Justin Lin nas cenas de perseguição. Intercalando planos abertos e fechados, nos deixando entender tudo que está acontecendo, e com o auxilio de ótimos efeitos especiais, as cenas são fantásticas (destaque para a perseguição da favela e a do cofre).
Depois de dez anos e cinco filmes, finalmente a franquia conseguiu alcançar o que todas as obras tentam. É sucesso de público e crítica, garantindo ao menos mais uma continuação. Para tanto, foi necessário perder um pouco da essência, deixar os carros de lado, esquecer os beijos lésbicos gratuitos, e fazer os pilotos virarem atiradores.

Obs: Há uma importante cena pós créditos com mais duas personagens dos primeiros filmes.

Velozes & Furiosos 5 - Operação Rio *** 7,0
Fast Five, EUA
Justin Lin, 2011

domingo, 1 de maio de 2011

Micro-críticas #06

Rio

Já faz muitos anos que as animações deixaram de ser apenas infantis. Muito disso se deve a Pixar que sempre consegue achar o meio termo entre divertir crianças e adultos em uma junção de diálogos inteligentes com o humor fácil de entender. E lá se vão 15 anos do lançamento de Toy Story (não errei a data, você está velho mesmo).
Rio chega aos cinemas com uma proposta diferente, definitivamente é uma animação para crianças, e agrada o público alvo. Bonitinho, engraçadinho, com personagens carismáticos e cheio de cor. Para conquistar os adultos, o diretor Carlos Saldanha apostou em um filme visualmente lindo, e conseguiu, não há como negar a beleza das imagens perfeitas do Rio de Janeiro. Não contente em apenas “mostrar” o Rio como um lugar maravilhoso (até a favela é linda), faz propaganda da cidade. Chegando ao cúmulo de num último e embaraçoso musical, dizer com todas as letras: “Venha para o Rio!”. Parece um grande vídeo publicitário para atrair turistas (repare que a primeira vez em que o nome da cidade é mencionado, imediatamente aparece um globo terrestre, identificando a localização do país para os estrangeiros menos informados), o que me faz pensar que “Rio” é um filme bonitinho, mas ordinário. (Carlos Saldanha, 2011) *** 7,0

Sobrenatural

Um casal com três filhos pequenos acaba de mudar-se para uma casa nova, mas ela parece estar mal assombrada. Já vimos isso antes, muitas vezes, mas não sejamos apressados. Sempre que assistimos a um filmes com essa premissa, logo no primeiro ato pensamos: “Por que não saem logo dali?” Pois é, quase levantei da cadeira para aplaudir quando a família realmente se muda, como qualquer pessoa com cérebro faria.  Mas o problema não era a casa. Agora sim podemos dizer que no mínimo é original, mas não só isso. “Sobrenatural” flerta com o trash e por ter um roteiro com algumas invencionices acaba se tornando didático, mas definitivamente, ARREPIA. (James Wan, 2011) **** 7,5

Eu Sou o Número Quatro

Nove crianças são as únicas sobreviventes de um planeta chamado Lórien, e são enviadas à Terra, criadas separadas e fazem-se passar por seres humanos. Eis que a mesma espécie invasores que devastou seu país, os Mogadorians, está por aqui para destruí-los também. Três foram mortos, mas Josh Smith é o número quatro, TANDÃÃÃ! Tá bom, todos concordam que é meio bizarro, mas esta é a nova franquia que pretende conquistar esta geração. O problema é que se você acha que o tal número quatro vai apresentar uma grande resistência e sair matando todo mundo, está enganado. Primeiro porque o confronto demora a ocorrer, afinal há a preocupação de apresentar os personagens e encher a tela com perguntas, que não se respondem até o fim do filme, mostrando claramente que é apenas um primeiro capítulo dessa nova “saga”. Depois porque Josh nem sabe dos poderes que tem, e vai descobrindo aos poucos.
Apesar de ser abarrotado de clichês e apresentar muitos problemas, como a narração desnecessária e um vilão que daria muito mais medo se não falasse, mesmo assim consegue divertir. (D. J. Caruso, 2011) *** 5,5

Pânico 4

Dez anos depois de sua última aparição, Ghostface volta a dar as caras e dá também novo fôlego a esta franquia peculiar. A trilogia Pânico usava e abusava da auto-paródia com sucesso, mas foi declinando desde sua estréia com o ótimo primeiro exemplar, depois uma sequência muito boa, e um encerramento razoável.  
A abertura deste filme é com absoluta certeza uma das melhores de todos os tempos do terror, e tem tudo que o ele simboliza. É inteligente, ágil, engraçado, crítico e assusta.
Tem o final mais surpreendente e mais orgânico entre todos os quatro, mais divertido entre todos os quatro, e no conjunto, com certeza melhor que Pânico 2 e 3. (Wes Craven, 2011) **** 8,5

Thor

Depois de um primeiro ato desastroso, pensei comigo: “Calma, vai melhorar”. Mas não aconteceu. Serei breve: Efeitos ruins, o filme parece ser feito 90% no computador. Diálogos ruins, prepare-se para coisas super inovadoras como “Por que você não me contou?” R:”Para te proteger!”. Roteiro ruim, o protagonista vem à Terra para aprender uma lição, fica dois dias por aqui, tem um caso e volta “um outro homem”, como se tivesse aprendido muito com as “dificuldades”. Aliás, toda a trama que se passa na Terra é absolutamente sem sentido. Um amor que surge do nada, piadas soltas que tentam deixar o filme atual, e personagens sem graça.
Não fossem as atuações, principalmente do protagonista Chris Hemsworth e a ótima trilha sonora, seria um horror completo. (Kenneth Branagh, 2011)  * 3,0
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