domingo, 15 de janeiro de 2012

Apostas para o Globo de Ouro 2012


MELHOR FILME (drama): Os Descendentes
MELHOR FILME (musical/comédia): O Artista
MELHOR ATOR (drama): George Clooney – Os Descendentes
MELHOR ATRIZ (drama): Meryl Streep – A Dama de Ferro
MELHOR ATOR (comédia/musical): Jean Dujardin – O Artista
MELHOR ATRIZ (comédia/musical): Michelle Williams – Sete Dias Com Marilyn
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christopher Plummer – Toda Forma de Amor
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Jessica Chastain – Histórias Cruzadas
MELHOR DIRETOR: Michel Hazanivicous – O Artista
MELHOR ROTEIRO: Woody Allen – Meia-Noite Em Paris
MELHOR FILME EM LINGUA ESTRANGEIRA: A Separação – Irã
MELHOR LONGA ANIMADO: Rango
MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL: Ludovic Bource – O Artista
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “The Living Proof” – Histórias Cruzadas

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Apostas para o Oscar 2012 - Indicados


Alguns lamentam, alguns comemoram, mas é inegável que este ano tivemos mais surpresas do que o esperado. Abaixo os indicados ao Oscar 2012, com comentários. Das 104 indicações, acertei 75. O que me da pouco mais de 72% de acerto. Ano passado foi 80%. Prometo melhorar nos vencedores.



O Oscar acontecerá apenas em fevereiro, mas os apostadores já estão em polvorosa. Eu, que quase nem gosto dessa época de premiações, já fiz a minha lista de prováveis indicados. O anúncio oficial dos indicados será em 24 de janeiro. Os nomes estão em ordem probabilidade. Quais são as suas apostas?

MELHOR FILME

O Artista
Os Descendentes
A Invenção de Hugo Cabret
Histórias Cruzadas
Meia Noite em Paris
O Homem que Mudou o Jogo
Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Cavalo de Guerra

Quem pode aparecer: A Árvore da Vida e Missão Madrinha de Casamento

Surpresa inesperada: Tão Forte e Tão Perto


Este ano não havia um número certo de indicados, poderia variar entre 5 e 10. Esperava-se 8, e com a 9ª vaga, veio Tão Forte e Tão Perto mostrar que ainda têm forças. Após críticas adversas, ninguém acreditava mais no filme, mas ele está vivo.

MELHOR DIRETOR

Michel Hazanavicius | O Artista
Martin Scorsese | A Invenção de Hugo Cabret
Alexander Payne | Os Descendentes
Wood Allen | Meia Noite em Paris
David Fincher | Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Quem pode aparecer: Terrence Malick | A Árvore da Vida 


É sempre uma pena não ter Fincher concorrendo a melhor diretor. Malick e toda a sua excentricidade estarão no Oscar este ano. Quer dizer, ele não deve ir, como nunca foi a nenhuma premiação.

MELHOR ATOR

George Clooney | Os Descendentes
Jean Dujardin | O Artista
Brad Pitt | O Homem que Mudou o Jogo
Michael Fassbender | Shame
Leonardo DiCaprio | J. Edgar


Quem pode aparecer: Gary Oldman | O Espião que Sabia Demais 
Surpresa Inesperada:  Demián Bichir | A Better Life


Indicado ao SAG(sindicado dos atores), ele era uma possibilidade, mas era difícil acreditar que DiCaprio e Fassbender seriam ignorados, denovo.



MELHOR ATRIZ

Viola Davis | Histórias Cruzadas
Michelle Williams | Sete Dias Com Marilyn
Meryl Streep | A Dama de Ferro
Glenn Close | Albert Nobbs
Tilda Swinton | Precisamos Falar Sobre o Kevin

Quem pode aparecer:  Rooney Mara | Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Swinton está ótima no filme, mas ainda não vi Mara.

MELHOR ATOR COAJUVANTE

Christopher Plummer | Toda Forma de Amor
Albert Brooks | Drive
Kenneth Branagh | My Week With Marilyn
Jonah Hill | O Homem que Mudou o Jogo
Nick Nolte | Guerreiro

Quem pode aparecer: Armie Hammer | J. Edgar
Surpresa Inesperada: Max von Sydon | Tão Forte e Tão Perto
Junto com o filme, von Sydon ganha novo fôlego. Drive foi praticamente esquecido pela academia.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Octavia Spencer | Histórias Cruzadas
Berenice Bejo | O Artista
Jessica Chastain | Histórias Cruzadas
Shailene Woodley | Os Descendentes
Melissa McCarthy | Missão Madrinha de Casamento

Quem pode aparecer: Janet McTeer | Albert Nobbs

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Meia Noite em Paris
O Artista
Ganhar Ganhar
50%

Missão Madrinha de Casamento

Quem pode aparecer: A Separação e Jovens Adultos
Surpresa Inesperada: Margin Call


MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Os Descendentes
O Homem que Mudou o Jogo
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres

Quem pode aparecer: O Espião que Sabia Demais
Surpresa Inesperada: Tudo Pelo Poder


George Clooney leva uma indicação também por roteiro. Mais do que merecido. O filme merecia mais espaço.

MELHOR MONTAGEM

O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
O Homem que Mudou o Jogo
Os Descendentes

Quem pode aparecer: Cavalo de Guerra

Primeira categoria com 100% de acerto.

MELHOR FOTOGRAFIA

A Árvore da Vida
O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
Cavalo de Guerra

Quem pode aparecer: O Espião que Sabia Demais


Sem surpresas. 100%.

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

A Invenção de Hugo Cabret
O Artista
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2
O Espião que Sabia Demais
Cavalo de Guerra

Quem pode aparecer: Jane Eyre
Surpresa Inesperada: Meia Noite em Paris


Inesperada e bem-vinda.

MELHOR FIGURINO

Jane Eyre
O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Histórias Cruzadas
Anônimo

Quem pode aparecer: W.E. – O Romance do Século e Sete Dias Com Marilyn

Olha o filme da Madonna dando as caras.

MELHOR TRILHA MUSICAL

O Artista
A Invenção de Hugo Cabret
Cavalo de Guerra
Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
O Espião que Sabia Demais

Quem pode aparecer: As Aventuras de TinTim

MELHOR CANÇÃO

“Life is a Happy Song” | Os Muppets
“Star Spangled Man” | Capitão América
 “The Living Proof” | Histórias Cruzadas
“Lay Your Head Down” | Albert Nobbs

“Man or Muppet” | Os Muppets

Quem pode aparecer: “Pictures in My Head | Os Muppets
Surpresa Inesperada: "Real in Rio" | Rio


E quem disse que o Brasil não está no Oscar este ano? Sérgio Mendes e Carlinhos Brown representarão o país com a música da animação Rio. Ao menos não foi com a música pavorosa de encerramento do filme.


MELHOR MAQUIAGEM


A Dama de Ferro
O Artista
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Quem pode aparecer: Gainsbourg


Sempre uma categoria difícil de prever, Albert Nobbs levou a última vaga.

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Super 8
Cavalo de Guerra
Planeta dos Macacos: A Origem
Transformers 3
A Invenção de Hugo Cabret

Quem pode aparecer: As Aventuras de TinTin e Drive
Surpresa Inesperada: Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres 

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Super 8
A Invenção de Hugo Cabret
Piratas do Caribe IV
Cavalo de Guerra
Transformers 3

Quem pode aparecer: Hanna e O Homem Que Mudou o Jogo
Surpresa Inesperada:  Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres

A prova de que Super 8 foi completamente esnobado.

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Planeta dos Macacos: A Origem
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2
A Invenção de Hugo Cabret
A Árvore da Vida
Transformers 3

Quem pode aparecer: Capitão América
Surpresa Inesperada: Gigantes de Aço


Particularmente, acho que Gigantes de Aço merecia estar aí mesmo.

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO


Rango
As Aventuras de TinTin
O Gato de Botas
Operação Presente
Carros 2

Quem pode aparecer: Kung Fu Panda 2 
Surpresas Inesperadas: Um Gato em Paris e Chico & Rita


A categoria mais surpreendente. Tintim levou a pior por contar com o motion capture.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

A Separação | Irã
In Darkness | Polônia
Monsieur Lazhar – Canadá
Footnote | Israel
Pina | Alemanha
Quem pode aparecer: Bullhead | Bélgica 

MELHOR DOCUMENTARIO

Projeto Nim
Pina
Buck
Bill Cunningham New York
Paradise Lost

Quem pode aparecer: Hell and Back Again
Surpresas: Undefeated e If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front



Ranking:11 indicações: A Invenção de Hugo Cabret
10 indicações: O Artista
7 Indicações:
6 Indicações: Cavalo de Guerra | O Homem que Mudou o Jogo
5 Indicações:  Os Descendentes | Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres
4 Indicações: Histórias Cruzadas | Meia Noite em Paris
3 Indicações:  Transformers 3 | Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 | O Espião que Sabia Demais | A Árvore da Vida | Albert Nobbs
2 indicações:  Sete Dias Com Marilyn | A Dama de Fero | A Separação

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O Cinema e o Marketing Duvidoso


 O sucesso nas bilheterias nem sempre depende da qualidade do filme, mas na maioria das vezes, das ações de marketing envolvidas no seu lançamento. Podemos comprovar isto dando uma breve olhada na lista das dez maiores bilheterias de todos os tempos. Por lá encontram-se pérolas como “Alice no País das Maravilhas” e “Transformers”, filmes que não são grandes exemplos de cinema, mas vieram acompanhados de massivas campanhas para encher as salas e que alcançaram seus objetivos. O meu com este texto é discutir justamente o oposto, quando ótimos filmes não conquistam a bilheteria esperada por terem sido sabotados pelos seus distribuidores.
 As distribuidoras brasileiras tem uma tarefa árdua, e são muitas vezes alvo de ataques infundados por nós, cinéfilos. Pense bem, elas tem de adquirir um produto (o filme), com base no feeling de algumas pessoas ou no burburinho que ele está causando, apostando que o investimento pesado que inclui a divulgação e a distribuição em si, além do próprio custo de compra, dará retorno. Quando elas adquirem um filme, e tempos depois não consideram que seu lançamento seja rentável, ele aparece direto em vídeo para evitar maiores prejuízos. Ou, quando querem lançar um filme importante, mas ainda assim não acreditam plenamente no potencial dele, elas utilizam de uma tática que eu costumo chamar de CANALHICE. A canalhice em questão aqui provém da Paris Filmes. Ela não é a única que faz este tipo de coisa, mas coincidentemente (ou não), os três casos que me motivaram a escrever este texto, são de sua responsabilidade.
 Duas obras têm muito em comum. Estrearam ano passado nos Estados Unidos, suas protagonistas concorreram ao Oscar deste ano e são ótimos dramas repletos de sofrimento e beleza. Falo de “Blue Valentine” e “Rabbit Hole”. Não pense que vou reclamar por terem estreado por aqui com média de CINCO meses de atraso. A isso já estamos todos acostumados e apesar de não gostar, até entendo. O selinho do Oscar no pôster de um filme sempre atrai público. O que está em questão é justamente a necessária campanha de marketing.
 Blue Valentine é um filme sobre o fim do amor. Vemos o início e o término de um relacionamento, que se desgasta ao longo de anos, com repetidas brigas e ofensas. Um trabalho fantástico que reúne roteiro, montagem, direção e atuações primorosas, sem esquecer-se da trilha sonora que até hoje não parei de ouvir. Daqueles que você sai da sala de cinema com um gosto amargo na garganta, mas que cada vez que se lembra do filme, gosta mais dele. E aí me vem a Paris Filmes e faz uma grande campanha para lançar o filme no DIA DOS NAMORADOS. O título, que em uma tradução livre seria algo como “Namoro Triste”, se transforma em “Namorados para Sempre”. O que se consegue com isso? Uma sala de cinema cheia no dia dos namorados, repleta de casais adolescentes, em que a menina espera ver mais um romance chinfrim no naipe de “Um Amor para Recordar” e o rapaz, coitado, foi arrastado até ali. Ele acaba dormindo, e ela sai desolada com o choque da realidade a que foi apresentada, dizendo para todas as amigas que o filme é péssimo. Na semana seguinte Blue Valentine viu sua bilheteria diminuir em 60%, e não sobreviveu até a outra sexta-feira.
 Rabbit Hole, ou em tradução livre “Toca do Coelho” (uma metáfora utilizada no filme), é sobre a dor da perda de um filho. É Nicole Kidman chorando freneticamente do início ao fim do longa, nos mostrando que sobreviveu a todas as plásticas e ainda é uma baita atriz, acompanhada do soberbo Aaron Eckart. Tocante e contido, é quase um estudo sobre o luto. O título em português? "Reencontrando a Felicidade". A de quem eu não sei. Rabbit Hole arrecadou míseros R$159.000,00 no Brasil.
 Juro que tento entender, mas é difícil. O motivo para isso seria porque são diretores desconhecidos do grande público? Porque são filmes pesados de drama que precisam de um incentivo? Então lhe apresento o terceiro exemplo. Uma comédia, de um diretor renomado como Woody Allen, que por si só já atrai milhares de cinéfilos, com um pôster lindíssimo que brinca com uma tela de Van Gogh. Nem com tudo isso, “Meia Noite em Paris” (enfim uma tradução correta) saiu livre. Esse pôster mequetrefe aqui ao lado foi o utilizado no país. Aí eu ouço, na fila do cinema, dois casais conversando. Uma moça dizendo para outra que a obra-prima de Allen era péssima. Ao ser indagada do porque, respondeu: “Olha o pôster! Achei que fosse um romance e era uma comédia ‘toda louca’.” Felizmente a primorosa loucura não foi afetada, e é a maior bilheteria do diretor no Brasil desde sempre. Daqueles casos em que a qualidade do filme prevalece a uma tentativa de sabotagem.
 Talvez nossas distribuidoras não saibam, mas uma das formas de marketing mais efetiva é o buzzmarketing, ou o famoso boca a boca. Conseguir levar o público a sala de cinema em primeira instância, ludibriado, ao invés de alavancar a bilheteria pode fazê-la murchar. Se o público alvo de um filme é um, não adianta tentar conquistar os demais em cima de uma farsa.
 Sonho com o dia em que os títulos de filmes sejam mantidos no original, ou ao menos que se façam traduções que mantenham os significados que seus autores pretendiam. Só assim poderemos nos ver livres de filmes como “Annie Hall” virando “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” em busca de um duvidoso "sucesso".

domingo, 17 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2

Atenção: Só leia este texto se você já assistiu ao filme.

Há dez anos, lembro-me perfeitamente. Era novembro de 2001, quando em uma tarde de várzea como eram quase todas naquele tempo, zapeava a TV procurando em vão, algo de bom para assistir. Eis que num programa vespertino qualquer, daqueles em que com certeza eu não era o público alvo, estavam falando sobre as estréias da semana nos cinemas. Uma delas era Harry Potter e a Pedra Filosofal. Naquela época, a fama dos livros já era enorme e eu, do alto dos meus 12 anos achava tudo uma baboseira, sem jamais ter tido um pingo de vontade de ler, ou mesmo ver o tal filme que viria. “Magia? Um menino bruxo? Que coisa mais besta!” Eis que assisto um trecho do tal filme. Uma cena. Foi o que bastou para me fisgar. Uma aula de vôo, ministrada por Madame Hooch. A partir daquele momento não sosseguei enquanto não assisti ao filme. Depois disso, li todos os livros que já haviam sido lançados, e acompanhei toda a evolução da série. Era simples diversão, jamais imaginaria que ao chegar ao final, fosse mexer tanto comigo.
 Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 2 começa exatamente onde o anterior terminou, sem introduções. Sem nem mesmo a trilha sonora imortalizada de John Williams que abriu todos os filmes até aqui. Ao invés dela, um coro de vozes, já anunciando a melancolia que tomaria conta de todos. Mas os acordes de Williams estão presentes a todo momento, tocados de várias formas, encaixando entre as composições de Alexander Desplat, que desta vez se supera, com uma trilha muito superior ao filme anterior, com destaque para o momento emocionante em que feitiços são lançados para proteger a escola. O inicio, com diálogos tranqüilos e lentos, servem como preparação, quase que como um tempo para que os atrasados entrem no cinema. Com 5 minutos de projeção, a aventura começa, e sem interrupções, estejamos prontos ou não. Mas 10 anos é tempo o bastante para se preparar. Foi isso, aliás, o que passou na minha cabeça durante todo o filme. A sensação de que finalmente aquilo estava se resolvendo, o sentimento de que depois de tanto tempo, as coisas estavam acontecendo, e eu estava me despedindo daquelas pessoas que cresceram comigo. Só isso para explicar os olhos marejados com um beijo súbito, de um casal que vi se formar. 
 Mas este não é um filme com foco em romances. É um filme cruel, que pouco lembra a magia infantil dos primeiros. Corpos para todos os lados, crianças sendo mortas por lobisomens. É um filme de guerra. Em dado momento, Harry anda devagar por Hogwarts, e o chão está coberto de livros destruídos, nos lembrando que em algum momento, aquilo era uma escola, e não um campo de batalha. 
 Dizer que esta ou aquela cena são sensacionais seria chover no molhado, pois o que vemos é um show de imagens, efeitos especiais que deverão receber todos os prêmios possíveis, uma direção de arte fantástica, fotografia marcante, tudo aquilo que esperamos de uma produção com qualidade técnica impecável. Mas há uma sequência de cenas em especial, que quase me fez levantar da cadeira para aplaudir. Uma cena aliás, que é fruto da coragem e imaginação do diretor David Yates e do roteirista Steve Kloves, que eu já havia salientado ano passado. Harry entrando no salão principal, confrontando Snape, a Ordem chegando, e McGonagall dando show. Minerva McGonagall sempre foi uma de minhas personagens favoritas, e aqui chegou seu momento. Quando ela empurra Harry e confronta Snape, o homem que matou seu amigo Dumbledore. Protegendo o garoto que, sabemos, não é apenas um aluno pra ela. Sabemos que foi ela quem deixou Harry na casa dos Dursley quando ele ainda era um bebê. Foi ela quem deu a Harry uma Nimbus 2000. Ela tinha uma afeição pelo garoto, mas sempre manteve a postura rígida de professora ríspida. Nesse momento, McGonagall se entrega.  “É bom ver você, Potter”. E se diverte: “Eu sempre quis usar este feitiço”. E aí preciso dizer: Maggie Smith, SUA LINDA!
  Falando nos melhores personagens, chegou também a vez de Snape. Depois de anos sendo de longe a melhor interpretação em todos os filmes, Alan Rickman mais uma vez é o destaque, mas agora mostrando um Snape diferente. Um Snape que chora. Todas as cenas em que Rickman está presente, sua dualidade chega a assustar, de tão perfeita. Personagem e ator em sintonia perfeita. Perceba quando McGonagall toma a frente de Harry, como ele hesita, mas segue em frente, dando um jeito de matar os irmãos Carrow, para depois fugir de forma espetacular. As cenas que formam sua lembrança também merecem ser lembradas. A fotografia dessaturada da lugar a cores em abundancia, mostrando que aquele homem já foi feliz algum dia, e a montagem excepcional nos conta a história triste do personagem. Se Alan Rickman tivesse morrido antes de o filme estrear, o Oscar seria dele.
 As adaptações de Yates e Kloves funcionam na maioria das cenas, deixando a desejar apenas em algum momento, como a batalha final entre Potter e Voldemort, que no livro é muito mais emocionante. Aliás, emoção não pareceu ser o foco deste filme. O que mais senti falta foi um abraço entre Harry e Rony. Quando Harry se prepara para entrar na floresta, Hermione se despede dele, com lágrimas merecidas, mas e Rony? Faltou um abraço dos dois amigos, e é esse o motivo que não me deixa dar nota 10. O final nostálgico me pegou de surpresa. Esperava uma catarse de choro e despedida, mas ela não veio. 
 Contudo, pode-se dizer sim, que este é o melhor filme da série, que fez jus a tudo que acompanhamos nesses 10 anos, junto com Harry e seus amigos, “até o fim”.

 Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2  ***** 9,5
Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2, Reino Unido
David Yates, 2011
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