quarta-feira, 13 de abril de 2011

Micro-críticas #05

Cópia Fiel

Depois de uma longa e maçante cena de abertura, aos poucos vamos conhecendo Elle (Juliette Binoche, soberba) e James (William Shimell). Ela uma francesa, dona de uma loja de antiguidades, que mora na Itália com seu filho. Ele, escritor inglês de sucesso que visita a Itália para lançar seu novo livro, onde defende que uma obra de arte não perde ou ganha valor ao ser uma cópia ou o original. Ele defende que o valor está no olhar de quem vê, na sua interpretação.
Tudo vai razoavelmente bem, quando numa cena impagável em um café, TUDO muda. Esqueça tudo que eu disse no parágrafo anterior. Não vou contar o que acontece, porque acho que você, caro leitor, merece ficar tão embasbacado quanto eu. Merece como eu, passar o resto do filme tentando entender aquilo tudo. Mais do que o durante, você sairá do filme, ainda remoendo aquela loucura.
Afinal, era uma mentira desde o início? Virou um jogo de interpretações a partir do meio? Ou dane-se, afinal, não importa o que é, mas sim o que você vê e sente. (Abbas Kiarostami, 2011) **** 8,0

Turnê

Mathieu Amalric, protagonista do fantástico “O Escafandro e a Borboleta” aparece aqui não apenas atuando, mas também dirigindo. O ex-produtor de televisão Joachim traz um grupo de dançarinas burlescas americanas para uma turnê na França. Apresentações que se dividem entre o belo e o bizarro, mas nunca deixam de ser divertidas; mulheres lindas sim, aos seus modos; belas atuações de Miranda Colclasure como Mimi Le Meaux e do próprio Amalric. Infelizmente, o filme segue mais como um retrato do ambiente em que vivem estes artistas, e não contém, ou não explora, uma real problemática. Fica aquele gostinho de que falta alguma coisa, além de toda a ousadia. (Mathieu Amalric, 2011) **** 8,5

VIPs

Baseado no livro “VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso”, em que Marcelo do Nascimento conta como levou a vida mudando de nomes e se fazendo passar inclusive por um dos donos da companhia aérea Gol, dando até mesmo entrevistas à televisão, o filme de estréia do diretor Toniko Melo é divertido. Aliás, só por trazer Wagner Moura como protagonista já valeria o ingresso, e ele é claro, dá um show. Montagem eficiente e cenas de se gargalhar com culpa. É uma pena que o filme se concentre basicamente em duas histórias, quando sabemos que Marcelo aprontou muito mais. (Toniko Melo, 2011) **** 7,0

Jogo de Poder

Fui assistir a “Jogo de Poder” sem nem mesmo ter lido a sinopse. Sean Penn tem essa moral, qualquer coisa que ele faça merece ser vista, e sua parceria com Naomi Watts se revela encantadora, perfeitos. Depois de ser massacrado com quarenta minutos de siglas sendo vomitadas para todos os lados, e uma câmera que parecia estar sendo segurada por uma criança, o filme engrena e fica bom. Pra mim foi interessante, aos poucos, perceber que aquela história absurda, de uma agente da CIA e seu esposo, um diplomata americano, serem esculachados pelo governo Bush apenas para justificar seu ataque ao Iraque, serem reais. O diretor Doug Liman faz questão de usar imagens verídicas de entrevistas e pronunciamentos do governo para percebermos que aquilo realmente aconteceu, e funciona. É realmente uma pena que a primeira metade seja tão ruim. (Doug Liman, 2011) *** 7,0

O Discurso do Rei

Após a morte do pai e a renúncia do irmão, o rei George VI se vê obrigado a discursar para multidões. Possuindo um grau altíssimo de gagueira, é levado pela mulher (Helena Bonham Carter) a procurar tratamento com um especialista (Geoffrey Rush). Um trabalho fantástico de Colin Firth, que mereceu o Oscar de melhor ator, mas o filme não aconteceria sem o brilhantismo de Geoffrey Rush. Direção de arte caprichada, montagem correta e...e é isso. “O Discurso do Rei“ tem tudo no lugar, certinho, bonitinho, angustiante em alguns momentos, mas nada de mais. Melhor filme do ano? Esses americanos estão todos loucos mesmo. (Tom Hooper, 2011) **** 8,5
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